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domingo, 6 de maio de 2012

The Courtoom Speech - extraído do livro The Fountainhead - Ayn Rand - tradução livre

Essa é a tradução que fiz do Discurso de Howard Roark, o herói do livro THE FOUNTAINHEAD, da escritora Russa Alissa Z. Rosenbaum, pseudônimo "Ayn Rand", radicada nos Estados Unidos, publicado nos anos 1940. Sei que é longo, mas é uma reflexão que vale a pena ser feita. Para os que puderem, recomendo ler o livro na íntegra, preferencialmente no idioma original, em inglês. Esse livro me foi alcançado em 1999 e desde então tem sido meu livro de cabeceira. Boa Leitura!
Courtroom Speech

From The Fountainhead, by Ayn Rand
“Há milhares de anos, o primeiro homem descobriu como acender o fogo. Ele foi provavelmente queimado na fogueira que ensinou seus irmãos a acender. Ele foi considerado um malfeitor que se associou a um demônio que a humanidade temia. Mas depois disso, os homens tiveram fogo para mantê-los aquecido, pra cozinhar seus alimentos, para iluminar suas cavernas. Ele lhes deixou um presente que eles não puderam conceber sozinhos e levantou o véu da escuridão da terra. Séculos depois, o primeiro homem inventou a roda. Ele provavelmente foi esquartejado na roda que ensinou seus irmãos a construir. Ele foi considerado um transgressor que se aventurou por territórios proibidos. Mas depois disso, os homens puderam viajar para além dos horizontes. Ele lhes deixou um presente que eles não puderam conceber e que lhes abriu as estradas do mundo.

Aqueles homens, nada submissos e pioneiros, aparecem no primeiro capítulo de cada lenda que os homens gravaram acerca de seus primórdios. Prometheus foi amarrado à uma pedra e rasgado por abutres – porque ele havia roubado o fogo dos deuses. Adão foi condenado a sofrer – porque ele comeu o fruto do conhecimento. Seja qual for a lenda, em algum lugar nas sombras da memória, a humanidade sabe que sua glória começou com aquele primeiro homem, e que aquele homem pagou pela sua coragem.

Através dos séculos, sempre houveram homens que deram os primeiros passos em caminhos desconhecidos e novos, tendo como arma apenas de sua própria visão. Seus objetivos diferem, mas todos tem em isso em comum: que o passo era o primeiro, que a estrada era nova, que sua visão era genuína e a resposta que receberam – ódio. Os grandes criadores – os pensadores, os cientistas, os artistas, os inventores – encararam sozinhos toda a humanidade. Cada nova idéia sofreu oposição. Cada nova grande invenção foi denunciada. O primeiro motor foi considerado tolo. O avião foi considerado impossível. O tear foi considerado vicioso. Anestesia foi considerada pecado. Mas os homens de visão genuína, prosseguiram. Eles lutaram, eles sofreram, e eles pagaram. Mas eles venceram.

Nenhum criador foi motivado pelo desejo de servir aos seus irmãos, já que seus irmãos rejeitaram os presentes que eles receberam e esses presentes destruíram as indolentes rotinas de suas vidas. Sua verdade era sua motivação. Sua própria verdade e seu próprio trabalho para alcançá-lo à sua própria maneira. Uma sinfonia, um livro, uma máquina, uma filosofia, um avião ou um edifício – esse era seu propósito de vida. Não aqueles que escutaram, leram, operaram, acreditaram, voaram ou habitaram as coisas que eles criaram. A criação, não seus usuários. A criação, não os benefícios que derivaram dela. A criação que dava forma à sua verdade. Ele reteve sua verdade sobre todas as outras coisas e contra todos os homens.

Sua visão, sua força, sua coragem, vinham de seu próprio espírito. O espírito de um homem, entretanto, é seu próprio self. Essa entidade é sua consciência. Pensar, sentir, julgar, agir são funções do ego.

Os criadores não são altruístas. E esse todo o segredo de seu poder – que ele é auto-suficiente, auto-motivado, auto-gerado. A causa primeira, uma fonte de energia, uma fonte de vida, a força motora primária. O criador não serve a nada nem a ninguém. Ele vive para si mesmo. E somente vivendo para si mesmo ele se torna apto a conquistar as coisas que se tornam a glória da humanidade.

O homem não pode sobreviver, exceto do produto da sua própria mente. Ele chega nesse mundo desarmado. Sua mente é sua única arma. Animais obtém comida pela força. O homem não possui garras, presas, chifres ou grande força muscular. Ele tem que plantar sua comida ou caçá-la. Para plantar, necessita um processo de pensamento. Para caçar, ele precisa armas e para construir essas armas, um processo de pensamento. Da necessidade mais simples à mais abstrata religião, da roda ao arranha-céus, tudo que somos e tudo o que temos vem de um único atributo do homem - deriva de sua mente racional.

Mas a mente é um atributo do indivíduo. Não existe algo como uma mente coletiva. Não existe algo como um cérebro coletivo. Não há um pensamento concebido coletivamente. Um acordo alcançado por um grupo de homens é apenas um compromisso médio desenhado entre muitas idéias individuais. É uma conseqüência secundária. O ato primeiro - o processo racional – tem que ser desempenhado por cada pessoa, individualmente. Nós podemos dividir a comida entre os homens. Mas não podemos digeri-la em um estômago coletivo. Nenhum homem pode usar seus pulmões para respirar por outro homem. Nenhum homem pode usar seu cérebro para pensar por outro homem. Todas as funções do corpo e do espírito são privativas e pessoais. Não podem ser compartilhadas ou transferidas.

Nós herdamos os produtos do pensamento humano. Nós herdamos a roda. Nós fizemos o carro, que se tornou o automóvel. O automóvel se transformou no avião. Mas todo o processo de raciocínio recebido de outros é o produto final de seu próprio pensamento. A força motriz é a faculdade de criação, que usa esse produto como material e impulsiona e origina o próximo passo. Essa faculdade criativa não pode ser dada ou recebida, dividida ou emprestada. Ela pertence ao indivíduo. O que ela cria é propriedade do criador. Os homens aprendem uns com os outros. Mas aprendizagem é apenas uma troca de materiais. Nenhum homem é capaz de entregar a outro a capacidade de pensar. Entretanto, essa capacidade é a única que assegura a sobrevivência do homem.

Nada foi dado ao homem sobre a terra. Tudo o que ele precisa tem que ser produzido. E aqui o homem confronta-se com sua alternativa básica: ele pode sobreviver somente de uma entre duas maneiras – através do trabalho independente de sua própria mente ou parasitando e se alimentando da mente de outros indivíduos. O Criador origina. O parasita, toma emprestado. O criador enfrenta a natureza sozinho. O parasita enfrenta a natureza através de um intermediário.

A preocupação do criador é a conquista da natureza. A do parasita, a conquista do homem.

O criador vive para e do seu trabalho. Ele não necessita de outros homens. Seu objetivo principal se encontra dentro de si mesmo. O parasita vive em segunda-mão. Ele precisa dos outros. Os outros se tornam seu motivo principal.

A necessidade básica do criador é a independência. A mente criadora e racional não pode trabalhar sob qualquer forma de compulsão. Ela não pode ser controlada, sacrificada ou subordinada a nenhum tipo de consideração. Ela demanda total independência em motivo e função. Para o criador, todas as relações com os demais vêm em segundo plano.

A necessidade básica do aproveitador é assegurar seus relacionamentos com os demais com a finalidade de ser alimentado. Ele coloca as relações em primeiro lugar. Ele declara que os homens existem para servir aos outros. Ele prega o altruísmo.

Altruísmo é a doutrina pela qual se exige que os homens vivam pelos demais e coloquem as necessidades dos outros acima de suas próprias.

Nenhum homem pode viver pelo outro. Ele não pode dividir seu espírito, tanto quanto não pode dividir seu corpo com outra pessoa. Mas o parasita usa o altruísmo como uma arma de exploração e reverte a base dos princípios morais. Os homens tem sido ensinados com todos os preceitos que destroem o criador. Os homens tem sido ensinados que a dependência é uma virtude.

O homem que deseja viver para os demais é um dependente. Ele é um parasita em motivação e transforma em parasitas aqueles a quem serve. A relação produz nada, mas corrupção mútua. É impossível de conceber. O caso mais aproximado na realidade física – homens que servem a outros homens – é a escravidão. Se a escravidão física é tão repulsiva, quanto mais não deve ser o conceito de servidão do espírito? O escravo submetido traz algum vestígio de honra. Ele tem o mérito de ter resistido e de considerar sua condição degradante. Mas o homem que se escraviza voluntariamente em nome do amor é a mais baixa das criaturas. Ele degrada a dignidade humana e degrada o conceito do amor. Mas essa é a essência do altruísmo.

Foi ensinado aos homens que a maior virtude não é conseguir, mas dar. Entretanto, ninguém pode doar aquilo que ainda não foi criado. Criação vem antes da distribuição – ou nada haverá para ser distribuído. As necessidades do criador vêm antes da necessidade de qualquer beneficiário possível. Ainda assim, somos ensinados a admirar os “aproveitadores” que distribuem presentes que eles não produziram, e os colocamos acima dos homens que tornaram esses presentes possíveis. Louvamos um ato de caridade. Damos de ombro aos atos de realização.

Foi ensinado aos homens que sua primeira preocupação é aliviar o sofrimento dos demais. Mas o sofrimento é um mal. Para se impor contra ele, é imperativo tentar aliviá-lo e dar assistência ao que sofre. O maior teste de virtude transforma o sofrimento na parte mais importante da vida humana. Então, os homens devem desejar ver os outros sofrendo – assim podem aliviar o sofrimento e se tornar virtuosos. Essa é a natureza do altruísmo.

O Criador não está preocupado com doença, mas com a vida. Ainda assim, o trabalho do criador elimina uma forma de doença atrás da outra, no corpo e espírito dos homens, e tem trazido mais alívio para o sofrimento que qualquer altruísta pode conceber.

Aos homens foi ensinado que é uma virtude concordar com os demais. Mas o criador é um homem que discorda. Aos homens foi ensinado que é uma virtude nadar a favor da corrente. Mas o criador é um homem contra a correnteza. Aos homens foi ensinado que é uma virtude sustentarem-se mutuamente. Mas o criador é um homem que se sustenta sozinho.

Aos homens foi ensinado que o ego é sinônimo de maldade, e que abnegação é uma virtude. Mas o criador é um egoísta no sentido mais absoluto, e o abnegado é o homem que não pensa, sente, julga ou age. Essas são funções do Ego.

Aqui a inversão da base é das mais aterradoras. A questão foi pervertida e ao homem não restou alternativa – e nem liberdade. Como pólos do bem e do mal, oferecem-lhe duas opções: egoísmo e altruísmo. Egoísmo significando o sacrifício dos demais ao seu próprio “eu”. Altruísmo, o sacrifício do “eu” aos demais.

Isso ata irrevogavelmente um homem à outro e não lhe deixa senão uma escolha de dor: sua própria dor nascida em benefício dos outros, ou a dor infringida aos demais em benefício próprio. Quando a isso se agrega que o homem deve encontrar alegria na auto-imolação, fecha-se a armadilha. O homem é forçado a aceitar o masoquismo como seu ideal – tendo como ameaça o sadismo, sua outra alternativa. Essa é a maior fraude jamais perpetrada à humanidade.

Esse é o mecanismo pelo qual dependência e sofrimento se perpetuam como fundamentos da vida.

A escolha não é auto-sacrifício ou dominação. A escolha é independência ou dependência. O código do criador ou o código do aproveitador. Essa é a questão básica. Ela repousa sobre as alternativas de vida ou morte. O código do criador é construído sobre as necessidades da mente, o que permite ao homem sobreviver. O código do aproveitador é construído sobre as necessidades de uma mente incapaz de sobreviver. Tudo o que procede do ego independente é bom. Tudo o que procede da dependência de um homem sobre outro é maléfico.

O egoísta, no sentido absoluto, é um homem que não sacrifica os demais. Ele se posiciona acima da necessidade de usar os outros em qualquer forma. Ele não funciona através deles. Ele não está preocupado com os demais em qualquer questão primária. Não em seu objetivo, nem na sua motivação, nem em seus pensamentos, nem em seus desejos nem na fonte de sua energia. Ele não existe em função de nenhuma outra pessoa – e requer que nenhuma pessoa exista em função dele. Essa é a única forma de fraternidade e respeito mútuo entre os homens.

Os degraus de habilidade variam de pessoa para pessoa, mas o princípio básico permanece: o grau de independência, iniciativa e amor pessoal por seu trabalho determinam seu talento como trabalhador e valor como ser-humano. Independência é o único calibre do valor e virtude humanos. O que uma pessoa é e produz por si mesma; não o que ela fez ou deixou de fazer pelos outros. Não há substituto para a dignidade pessoal. E não há padrão da dignidade pessoal, exceto a independência.

Em todas as relações apropriadas, não há sacrifício de ninguém por ninguém. Um arquiteto precisa de clientes, mas ele não subordina seu trabalho às suas necessidades. Eles precisam dele, mas não o contratam apenas para dar-lhe uma comissão. Os homens negociam seu trabalho por livre, mútuo consenso a uma mútua vantagem quando concordam em seus interesses pessoais e ambos desejam essa troca. Caso não desejem, não são forçados a lidar uns com os outros. Eles continuam sua busca. Essa é a única forma possível de relacionamento entre iguais. Qualquer coisa fora isso, é uma relação de um escravo para um senhor, ou de uma vítima com seu executor.

Nenhum trabalho é jamais realizado pela decisão de uma maioria. Todo trabalho criativo é concebido sob orientação de um pensamento único, individual. Um arquiteto requer um grande conjunto de homens para erigir seu edifício. Mas a eles não é requerido que votem no seu desenho. Eles trabalham juntos por livre concordância e cada um é livre em suas funções. Um arquiteto usa aço, vidro, concreto, produzido por outras pessoas. Mas os materiais permanecem sendo aço, vidro, concreto até que ele os toca. O que ele faz com eles se torna seu produto individual e sua propriedade individual. Esse é o único padrão adequado de cooperação entre os homens.

O primeiro direito sobre a terra é o direito ao ego. O primeiro dever do homem é para consigo mesmo. Sua primeira lei moral é nunca colocar seu principal objetivo na figura das outras pessoas. Sua obrigação moral é fazer o que ele mesmo deseja, desde que seu desejo não dependa primariamente de outras pessoas. Isso inclui toda a esfera de suas faculdades criativas, seus pensamentos, seu trabalho. Mas não inclui a esfera do gângster, do altruísta e do ditador.

Um homem pensa e produz sozinho. Um homem não consegue roubar, explorar ou dominar – sozinho. Roubo, exploração e dominação pressupõem vítimas. Eles implicam em dependência. São a provincia do aproveitador.

Os dominadores não são egoístas. Eles não criam nada. Eles existem inteiramente através de outras pessoas. Seus propósitos estão nos sujeitos que dominam, na atividade da escravidão. Eles são tão dependentes quanto o pedinte, o trabalhador social e o bandido. A forma da dependência não importa.

Mas aos homens foi ensinado relacionar os aproveitadores – tiranos, imperadores, ditadores- como os expoentes do egoísmo. Por essa fraude, se pretende destruir o ego, o seu próprio e dos demais. O propósito da fraude é destruir o criador. Ou atá-los, aproveitar-se deles. O que é um sinônimo.

Desde o início dos tempos, esses dois antagonistas se enfrentaram face-a-face: o criador e o aproveitador. Quando o primeiro inventou a roda, o segundo respondeu. Ele inventou o altruísmo. O criador – negado, contrariado, perseguido, explorado – seguiu adiante, e carregou toda a humanidade consigo em sua energia. O explorador não contribuiu com nada no processo, exceto impedimentos. A luta tem outro nome: o individual contra o coletivo.

O “bem comum” da coletividade – uma raça, uma classe, um estado – foi o requerimento e a justificativa de toda tirania já causada sobre a humanidade. Todos os maiores horrores da história foram cometidos em nome de um motivo altruísta. Acaso qualquer ato de egoísmo pode igualar as carnificinas cometidas pelas disciplinas do altruísmo? A culpa reside na hipocrisia humana ou na natureza do princípio? Os carniceiros mais apavorantes eram os mais sinceros. Eles acreditavam numa sociedade perfeita obtida através da guilhotina e da fogueira. Ninguém questionou seu direito de matar já que o faziam por um objetivo altruísta. Era aceitável que alguns homens deveriam se sacrificar pela humanidade. Os atores mudaram, mas a tragédia permanece. Um humanitário que começa com uma declaração de amor pela humanidade e acaba em um mar de sangue. Isso segue e seguirá enquanto os homens acreditarem que uma ação é boa quando é altruísta. Isso permite ao altruísta agir e forçar suas vítimas a aceitar. Os líderes do coletivismo não pedem nada para si mesmos. Mas observem os resultados.

O único bem que um homem pode fazer por outro e a única declaração apropriada ao seu relacionamento é: “Não meta suas mãos!”.

Agora, observe os resultados de uma sociedade construída sobre os princípios do individualismo. Esse, nosso país. O mais nobre país na história da humanidade. O país das grandes realizações, da maior prosperidade e liberdade. Esse país não se baseia no serviço desinteressado, no sacrifício ou na renuncia, ou em qualquer preceito do altruísmo. Ele se baseia no direito de cada ser humano de perseguir sua felicidade. Sua própria felicidade. Não a de ninguém mais. Um motivo pessoal, privado e egoísta. Olhem os resultados. Olhem dentro de suas próprias consciências.

Esse é um conflito ancestral. Os homens chegaram perto da verdade, mas a destruíram todas as vezes e uma civilização caiu após a outra. Civilização é o progresso em direção a uma sociedade com privacidade. A existência inteira do selvagem é pública, regida pelas leis da tribo. Civilização é o progresso obtido de libertar o homem do homem.

Agora, em nossa era, coletivismo, o regra do aproveitador e do segunda-classe, o monstro ancestral, se soltou e corre livremente. Levou o homem a um nível de indecência intelectual nunca igualado na terra. Atingiu escalas de horror sem precedentes. Contaminou todas as mentes. Engoliu quase toda a Europa. Está engolfando nosso país.

Eu sou um arquiteto, sei o que está por trás do princípio sobre o qual é construído. Estamos nos encaminhando para um mundo onde eu não me permitirei viver. Agora vocês sabem porque eu dinamitei Cortland. Eu desenhei Cortland. Eu a entreguei a voces. Eu a destruí.

Eu a destruí porque optei por não deixá-la existir. Era um duplo monstro. Em forma e em implicação. Eu tinha que explodir a ambos. A forma tinha sido mutilada por aproveitadores que se entitularam o direito de melhorar o que não haviam criado e não podiam igualar. Isso lhes foi permitido pela implicação geral de que um propósito altruísta supera todos os direitos e não me era lícito reclamar contra isso.

Eu concordei em desenhar Cortland com o propósito de vê-la construída como eu a desenhei e por nenhuma outra razão. Esse foi o preço que eu coloquei para o meu trabalho. E não fui pago.
Eu não culpo Peter Keating. Ele ficou desamparado. Ele tinha um contrato com seus empregadores, que foi ignorado. A ele foi prometido que a estrutura que ele oferecia seria construída exatamente como fora desenhada. A promessa foi quebrada. O amor de um homem pela integridade de seu trabalho e seu direito de preservá-la agora são considerados um intangível vago e não essencial. Vocês ouviram o promotor dizer isso. Porque o prédio foi desfigurado? Por nenhuma razão. Atos assim nunca tem alguma razão, a menos que seja a vaidade dos aproveitadores, que sentem ter algum direito sobre a propriedade alheia, espiritual ou material. Quem os permitiu fazê-lo? Ninguém em particular dentro de uma dúzia de autoridades. Ninguém se preocupou em autorizar ou frear. Ninguém pode ser responsabilizado. Tal é a natureza de uma ação coletiva.

Eu não recebi o pagamento que pedi. Mas os donos de Cortland conseguiram o que queriam de mim. Eles queriam um esquema criado para construir uma estrutura da forma mais barata possível. Eles não encontraram ninguém mais que pudesse criá-lo de forma a satisfazê-los. Eu podia e fiz. Eles se beneficiaram do meu trabalho e me fizeram contribuí-lo como um presente. Mas não sou um altruísta. Não dou presentes dessa natureza.

Dizem que eu destruí a casa dos destituídos. Esquecem-se, entretanto, que se não fosse por mim, os destituídos não poderiam ter particularmente essa casa. Aqueles que se preocupam com os pobres tiveram que vir a mim, que não tenho essa preocupação, para poder ajudá-los. Acredita-se que a pobreza dos futuros moradores lhes dá o direito ao meu trabalho. Suas necessidades se constituem uma reclamação da minha vida. Que é meu dever contribuir com o que quer que me seja pedido. Esse é o credo do aproveitador que está agora engolindo o mundo.

Vim aqui dizer que eu não reconheço os direitos de ninguém sobre um único minuto da minha vida. Nem a nenhuma parte de minha energia. Não importa quem faça o pedido, quão numerosos eles sejam....

Eu desejei vir aqui e dizer que sou um homem que não vive para os demais. Tinha que ser dito. O mundo está se acabando em uma orgia de auto-sacrifício. Eu desejei vir aqui e dizer que a integridade do trabalho criativo de uma pessoa é de maior importância que qualquer esforço de caridade. Aqueles dentre vocês que não compreendam isso são os homens que estão destruindo o mundo.

Eu desejei vir aqui e declarar meus termos. Eu não me importo em existir senão por eles. Não reconheço nenhuma obrigação aos outros homens, exceto uma: respeitar suas liberdades e não tomar parte em nenhuma sociedade de escravos e escravizadores.

Ao meu país, eu quero dar os dez anos que devo ficar na cadeia, se o meu país não mais existir. Eu os entregarei em memória e gratidão pelo que meu país representou e foi. Será meu ato de lealdade, minha recusa em viver ou trabalhar nesse país que tomou seu lugar.

Meu ato de lealdade a cada criador que já viveu e sofreu pela força responsável por Cortland, que eu dinamitei. Por cada torturada hora de solidão, negação, frustração, abuso que ele foi obrigado a gastar – e pelas batalhas que venceu. Por cada criador cujo nome é conhecido – e cada criador que viveu, sofreu e pereceu incógnito antes que pudesse lograr seu êxito. Para cada criador que foi destruído em corpo e em espírito. Por Henry Cameron. Por Steven Mallory. Por um homem que não quer ser nomeado, mas está sentado nesse tribunal e sabe que é dele que estou falando."

Nota sobre o livro e a autora: Ayn Rand, cujo nome real era Alissa Z. Rosenbaum, é uma das maiores filósofas do século XX - embora tenha optado por divulgar sua filosofia, inicialmente, através de obras de ficção. Em suas próprias palavras: "A arte é uma recriação seletiva da realidade de acordo com os juizos metafísicos de valor do artista. A finalidade da arte é concretizar a visão que o artista tem da existência. . . . Sou uma Romântica no sentido de apresento o homem como ele deveria ser. Sou uma Realista no sentido de que o coloco aqui e agora neste mundo".

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Desvio um pouco o foco do blog, no sentido da atualização técnica, para dividir com vocês uma sugestão: refletir sobre nossas ações e como elas impactam a sociedade onde vivemos, lembrando que por sociedade, refiro-me à nossa familia, circulo de amizades, colegas de trabalho, enfim... onde temos alcance para impactar com nossas ações.

Até o próximo Post!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Trade for those who do not negotiate

Se você preferir, pode ouvir o áudio em Português (if you prefer, you also may listen the audio in portuguese).

The most part of people, to do not say all of them, sell, but do not know that what they are doing can be called “trade”. In other situations, there are people who claim to be incapable of selling anything and, however, have the ability of convincing a large number of people to buy their ideas. They claim to be unable to sell based on a mistaken premise, that any trading action must necessarily involve a product or service.

In the field of ideas, as an example, if you quant to convince your superiors, friends or relatives to do something the way you want, you are certainly selling an idea. It works when a parent asks the kids to arrive home for security reasons, as well as when it comes to the impasse about the time and the moment this parent tries to convince the kid to follow his lead. And, what is it, but to negotiate?

Similarly simplistic, some tips on how to negotiate without being a negotiator makes it possible to observe one´s power of persuasion. At any rate, have you tried to convince yourself to do a particular thing over another? The conflict arises at the moment you do not know what to do and start creating arguments to help you to decide or to justify the decision taken. The negotiation can, therefore, be made with ourselves.

Be an entrepreneur or professional, every professional can apply some negotiation techniques with the objective of improving results in their companies. But worries me to realize that those people are far away to understand the true essence of negotiation, which is, above all, improve their own lives.

10 tips that can improve your professional and personal life

1. The negotiation will be required when, on a simple conversation, emerge a conflict or a decision making need.

2. The well-being and surviving, in your company or related to your family, may depend on a negotiation.

3. Negotiate is to trade within limits that satisfy both involved parts.

4. This way, the lack of a well define objective is the source of unhappiness and dissatisfaction.

5. Negotiate is to use the power to convince the other of your will, being open to indulge in some points previously chosen.

6. Who negotiates, do it intended for the maximum return. As this is not always possible, is necessary to define the baseline, the minimum you accept.

7. Lack of planning for the determination of a minimum goal, is one of the items that causes more frustrations and unhappiness.

8. Do not be afraid to value yourself. It will serve to offset the devaluation your opponent will submit you.

9. Always asks for more and offer a little less. If you are expecting your teens to arrive at home by 10 o´clock, start proposing 9 o´clock. On the other hand, if you expect them to study at least 4 hours a day, you better start with 6.

10. Use the negotiation to obtain the maximum for your business and company, but also to improve your personal life, to turn your personal life more significant and happy.

As you can see, the knowledge of negotiation techniques is not only for who trades, but for anyone who lives in society and share in community with others.

Márcio Miranda is author of best-sellers Negociando Para Ganhar, Ganhe Mais Vendendo Valor...não Preço e Mulheres vencedoras. www.workshop.com.br. –article originally published by HSM Management, translated by Fabricia Moreira to the blog PLANTRADE


terça-feira, 27 de julho de 2010

Da Janela... uma perspectiva da realidade.

Gosto de observar. Observar é sair um pouco de si, descentralizar nossa atenção e endereçá-la a algo que não pertence ao nosso cotidiano, às nossas lutas, à nossa limitada realidade.

Fui almoçar no shopping outro dia. Como de costume, servi meu prato e me dirigi para a área mais iluminada – por luz natural, ressalvo. Onde o shopping parece menos shopping, onde é possível observar, através de largos vidros, a rua, as pessoas que passam, os outdoors, os carros. Onde me viro de costas ao apelo constante das vitrinas bem arrumadas, dos odores e cores de um mundo controlado. É como observar o mundo de camarote.

Mas, naquele dia, o que me chamou a atenção estava a poucos centímetros de mim: na mesa ao lado da minha, uma bandeja com um prato que continha uma boa porção de arroz, uma menor porção de batatas à moda alemã, um frango grelhado e um único brócolis, colorindo de verde aquele prato tão “nude”, aliviando a culpa de quem fez escolhas tão monocromáticas. Afinal, comer bem é comer colorido. Os talheres, em posição de uso, arrumados um de cada lado do prato, dentro da bandeja. E um copo com refrigerante de máquina. Tudo sem tocar. Pronto pra ser consumido. Mas, não havia consumidor.

Comecei minha refeição e me dei conta que aquela refeição permanecia ali, intocada, reservando uma mesa para ninguém, esfriando-se rapidamente, como rapidamente deve ter saído dali aquele que se preparou para degustá-la. Ninguém se atrevia a tocá-la. Ficou ali, durante todo o tempo em que eu permaneci naquela mesa do shopping.

E eu, me desliguei dos meus problemas, das minhas tarefas, do meu relógio, da minha agenda, pra olhar aquele prato e ficar imaginando que tipo de evento, de ocorrência, faria alguém largar assim o prato feito, a fome em suspenso (ou cancelada), a hora do descanso intermediário? Pensei com pesar na sorte daquele indivíduo. Me compadeci da sua angústia, mesmo sem saber qual era.

Há poucos minutos, olho pela janela de meu aquecido escritório, nessa tarde ensolarada, porém muito fria, e vejo uma cena triste: uma carroça, com um cavalo velho, magro, sofrido, parada do outro lado da rua. Os animais sempre me emocionam, porque imagino que é obrigação dos humanos, cuidar deles. Não por altruísmo. Simplesmente porque os retiramos de seu ambiente natural e lhes negamos o direito de buscar sobrevivência por conta própria. Caçar, buscar alimento, buscar água, buscar abrigo, buscar calor, nada disso pode um cavalo amarrado à uma carroça, subjugado às ordens de seu dono. Então, é dever do dono prover ao cavalo tudo o que ele merece e poderia conseguir por meios próprios, estando entre os seus, em seu ambiente.

Mas aí, apuro o olhar e o que vejo é mais deprimente que o próprio animal: vejo duas mulheres sujas, maltrapilhas, desgrenhadas, porém jovens, remexendo no lixo para buscar subsistência. Como dar aquilo que não temos? Como prover sem ter sequer pra si?

De certa forma, me sinto responsável. Me sinto envergonhada em viver em um mundo onde animais são subjugados, mas ainda mais cruelmente envergonhada, de viver em um mundo que subjuga seres humanos, para que outros possam ter o que NÃO PRECISAM!

Que vidas levam essas mulheres? Onde vivem tem saneamento básico? Passam frio nessas noites de inverno rigoroso? Elas podem sonhar com um futuro pra si? Tem filhos? Como eles são criados? Tem para eles alguma esperança de ultrapassar as barreiras das classes sociais e ascender? Por que meios?

Sinto-me conivente com o modo de vida que permite que isso aconteça, quando me isolo em shoppings, em aviões, em edifícios, olhando o mundo por vidraças, e não uso a minha capacidade de emocionar, de formar opinião, para denunciar essa forma de sociedade, onde se considera aceitável que pessoas vivam nessas condições.

Compadeço-me da minha raça, quando percebo que pares meus nem percebem essas distorções, ou ainda pior, se colocam em posição de altiva superioridade, evidenciando sérias falhas de caráter, ao cruzar com essas pessoas e aceitando como normal essa discriminação por classes.

Algumas vezes, ao ser abordada por um pedinte, em algum semáforo, ao fitar nos olhos e responder educadamente ao pedido, mesmo nada doando, fui criticada por “falar” com essas pessoas, por não ignorar ou “fechar a cara”.

Uma vez em viagem ao Peru, quando ainda vivia no Chile, o distribuidor com quem eu negociava, enviou um carro com motorista para apanhar-me no aeroporto. Gosto de gente. Me interesso pelas suas histórias, suas vidas. E o percurso era longo. Puxei assunto. O motorista me respondia constrangido. Senti que estava incomodado com minha conversa, e parei imediatamente de conversar.

Ao perguntar ao filho do Senador – meu distribuidor, o motivo de tal constrangimento, ele não teve dúvidas em responder: não falamos com subalternos. Estão aqui para executar um serviço e só lhes dirigimos a palavra para dar ordens.

Conto isso para dizer que não é privilégio brasileiro, esse comportamento que ignora ou usa outros seres humanos para a manutenção de nosso estilo de vida. Como se brincássemos ainda, depois de adultos, de “faz-de-conta”. Faz-de-conta que ele não está ali que ele some. Faz-de-conta que ele não é gente, é um objeto, um artigo programado para nos obedecer.

Esses contatos com essas outras realidades sempre me deixam constrangidas. Não pelas conquistas materiais que adquiri ao longo de minha vida. Todas elas foram e são ainda muito batalhadas. Não sou milionária, nem vivo em condição de luxo. Vim ao mundo a trabalho. Minhas maiores conquistas são morais. Quem convive comigo, sabe disso.

E justamente pela consciência do certo e errado que carrego comigo, me questiono se há algo que eu possa fazer, na minha vida cotidiana, para um dia poder olhar pela janela e não mais enxergar seres humanos em posição de inferioridade social, sem saída ou escapatória, que, em conseqüência, maltratam animais, subjugando os ainda mais inferiores que eles próprios.

Quem sabe, repartindo meu olhar do mundo com outras pessoas, possa transformar essa dor moral em algo positivo. Como aquelas senhoras catando o lixo que eu produzi, são agentes de transformação do feio e sujo em algo outra vez belo e utilizável. Eu as vi. Não brinco de “faz-de-conta” com seres humanos, nem com animais, nem com qualquer ser vivo. E você?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

QUERO FALAR DE AMOR!

Esse texto escrevi no dia 24 de abril, refletia sobre a frase do livro "O Monge e o Executivo", que diz: "Não tenho necessariamente que gostar de meus jogadores e sócios, mas como líder devo amá-los. O amor é lealdade, o amor é trabalho de equipe, o amor respeita a dignidade e a individualidade. Esta é a força de qualquer organização."
Essa reflexão, aliada à um evento pessoal, fez surgir o texto a seguir:

QUERO FALAR DE AMOR!

Você conhece o ditado: quando perder, não perca a lição? Hoje é um bom dia para interligar conceitos. E para falar de amor.

Não aquele amor arrogante, mascarador de orgulho, que conhecemos, com o qual sempre nos deparamos nos filmes, nas publicidades da TV, na vida perfeita de comercial de margarina. Estou falando de amor!

Vamos refletir: porque existe tanta confusão quando tentamos interpretar as mensagens de mestres da sabedoria, como Jesus, Buda, ou os Profetas? Porque eles falavam de amor. Acho que hoje comecei a entender um pouquinho.

Levou muito tempo para que esse conceito chegasse ao meu coração. Ele estacionou muito tempo em meu cérebro, ficou dando voltas por lá, bateu no meu orgulho, no meu egoísmo, na minha indiferença. E hoje, acho que esqueci de atarracar um ferrolho da armadura do meu coração. Fiquei sem resistência, e comecei a entender um pouco do Amor.

Esqueça tudo o que você sabe, ou acha que sabe: o amor não floresce num campo de lírios e girassóis, cercado por um dia incrivelmente claro, na bucólica paisagem da felicidade. Nada! Pura bobagem. O que nasce nesses lugares são o desejo, a cobiça, a satisfação do 'eu'.

Quando alguém muito apaixonado diz "Eu te amo", na verdade está dizendo: enquanto você me fizer sentir isso, eu te retribuo.

Mas amor nada tem a ver com retribuição. É um sentimento difícil de ser conquistado. Nasce nas paisagens mais inóspitas, alguns dizem que no topo de uma montanha. Pois eu atesto que é no fundo de uma caverna.

Quando você não tiver nada a ganhar, nenhuma barganha.

Quando você tiver todos os motivos para deixar como está, ou ir embora carregando o oposto do amor, o ódio, seu antagonista de força idêntica.

Quando você sentir que nada do que você faça para a pessoa amada trará algum ganho colateral na sua vida, e ainda assim, você SABE que amar sem medida é a única coisa certa a ser feita,...

Nesse momento, você está encontrando o caminho para o amor.

Mas eu disse: não é fácil. Muitos, mesmo vislumbrando o amor, desistem dele.

Dizem que o amor exige sacrifícios. Não sei dizer, pois tenho a impressão de que, quando ele finalmente entra em nosso coração, nada é tão dificil. Como na música americana: there's no mountain high enough...

Você saberá quando o encontrar.

Porque ele une contraditórios. Ele derruba conceitos e preconceitos.

Agarre-se à ele. A luz que ele produz na alma é alimento suficiente para tirá-lo da caverna escura onde ele nasce. Revela belezas as mais inesperadas.

Raro esse tal amor! Apenas agora encontro sua trilha...

Claro, ainda quero me apaixonar e dizer: "eu te amo" em retribuição ao sentimento de plenitude despertado pelo desejo satisfeito.

Mas hoje, especificamente hoje, estou atordoada com o Amor.