Se você preferir, pode ouvir o áudio em Português (if you prefer, you also may listen the audio in portuguese).
The most part of people, to do not say all of them, sell, but do not know that what they are doing can be called “trade”. In other situations, there are people who claim to be incapable of selling anything and, however, have the ability of convincing a large number of people to buy their ideas. They claim to be unable to sell based on a mistaken premise, that any trading action must necessarily involve a product or service.
In the field of ideas, as an example, if you quant to convince your superiors, friends or relatives to do something the way you want, you are certainly selling an idea. It works when a parent asks the kids to arrive home for security reasons, as well as when it comes to the impasse about the time and the moment this parent tries to convince the kid to follow his lead. And, what is it, but to negotiate?
Similarly simplistic, some tips on how to negotiate without being a negotiator makes it possible to observe one´s power of persuasion. At any rate, have you tried to convince yourself to do a particular thing over another? The conflict arises at the moment you do not know what to do and start creating arguments to help you to decide or to justify the decision taken. The negotiation can, therefore, be made with ourselves.
Be an entrepreneur or professional, every professional can apply some negotiation techniques with the objective of improving results in their companies. But worries me to realize that those people are far away to understand the true essence of negotiation, which is, above all, improve their own lives.
10 tips that can improve your professional and personal life
1. The negotiation will be required when, on a simple conversation, emerge a conflict or a decision making need.
2. The well-being and surviving, in your company or related to your family, may depend on a negotiation.
3. Negotiate is to trade within limits that satisfy both involved parts.
4. This way, the lack of a well define objective is the source of unhappiness and dissatisfaction.
5. Negotiate is to use the power to convince the other of your will, being open to indulge in some points previously chosen.
6. Who negotiates, do it intended for the maximum return. As this is not always possible, is necessary to define the baseline, the minimum you accept.
7. Lack of planning for the determination of a minimum goal, is one of the items that causes more frustrations and unhappiness.
8. Do not be afraid to value yourself. It will serve to offset the devaluation your opponent will submit you.
9. Always asks for more and offer a little less. If you are expecting your teens to arrive at home by 10 o´clock, start proposing 9 o´clock. On the other hand, if you expect them to study at least 4 hours a day, you better start with 6.
10. Use the negotiation to obtain the maximum for your business and company, but also to improve your personal life, to turn your personal life more significant and happy.
As you can see, the knowledge of negotiation techniques is not only for who trades, but for anyone who lives in society and share in community with others.
Márcio Miranda is author of best-sellers Negociando Para Ganhar, Ganhe Mais Vendendo Valor...não Preço e Mulheres vencedoras. www.workshop.com.br. –article originally published by HSM Management, translated by Fabricia Moreira to the blog PLANTRADE
Consultoria e Treinamentos para empresas e indivíduos interessados nas oportunidades do mercado internacional, tanto a nível administrativo-operacional como estratégico-financeiro e desenvolvimento de competências específicas para usufruir desses mercados.
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Delegar é Preciso
Queridos leitores e seguidores do blog,
Estou entusiasmada com as opções que esse incrível mundo da internet nos oferece.
Um segredinho que quero compartilhar com vocês: filha de radialista e jornalista, desde muito cedo frequentei os estúdios de rádio e salas de edição de jornais.
Equipamentos analógicos, máquinas de escrever elétricas - sim, esse era o "hit" do momento, lá quando eu tinha 8-10 anos de idade. Quando surgiu a máquina de datilografia com memória, nossa! Enlouqueceu muita gente, era o fim do desperdício de tempo e papel. Porque antes, qualquer tecla digitada errada, significava recomeçar o trabalho do início. Imagina se você já estava no fim da página ou do documento em que estava trabalhando...
Por isso, saber datilografar era imprescindível para qualquer profissional. Tanto que aos 15 anos, eu já era craque nesse negócio, conseguia datilografar mais de 180 batidas por minuto (assim é que se contava a velocidade). Por isso, fui convidada para ser professora de datilografia.
Mas porque estou contando tudo isso? Para fazer uma analogia com o mesmo mundo que vivo agora, 30 anos depois... Pouco tempo, se pensarmos no tamanho da mudança.
Mas, se naquela época era imprescindível saber fazer um trabalho de datilografia limpo, sem erros, hoje é fato que nós, os que somos jovens há mais tempos, temos que nos alfabetizar em outras linguagens. Esse é o espírito que me levou a buscar, auto-didaticamente, a sair em busca de informações sobre podcasts, vídeos na internet, slide-share, etc. Porque não basta mais ter excelentes idéias, se não as tornarmos acessíveis ao maior número possível de pessoas.
Mas isso também me faz refletir muito sobre o que quero publicar, pois se deter a informação e não compartilhá-la é bem ruim, acredito ser ainda pior divulgar informação de péssima qualidade... espero estar cumprindo meu papel divulgando informações de relevância para os que tão generosamente me oferecem seu tempo, lendo e ouvindo as publicações deste blog.
Por isso, mais um podcast curtinho, de aproximadamente 3 minutos, falando um pouquinho sobre um assunto complicado e controverso: a delegação de responsabilidades. Quem é empreendedor, empresário, que começou "do zero" e "se fez sozinho", sabe do que estou falando.
Mas assim como eu estou me esforçando para aprender novas ferramentas de comunicação, buscando alternativas para me tornar uma blogueira melhor, também os gestores precisam fazer um esforço para se tornarem os líderes que potencialmente já são.
Esse podcast abaixo, é uma adaptação do texto publicado na revista Bens & Serviços, do sistema Fecomércio-RS, edição de Janeiro.
Enjoy it!
Estou entusiasmada com as opções que esse incrível mundo da internet nos oferece.
Um segredinho que quero compartilhar com vocês: filha de radialista e jornalista, desde muito cedo frequentei os estúdios de rádio e salas de edição de jornais.
Equipamentos analógicos, máquinas de escrever elétricas - sim, esse era o "hit" do momento, lá quando eu tinha 8-10 anos de idade. Quando surgiu a máquina de datilografia com memória, nossa! Enlouqueceu muita gente, era o fim do desperdício de tempo e papel. Porque antes, qualquer tecla digitada errada, significava recomeçar o trabalho do início. Imagina se você já estava no fim da página ou do documento em que estava trabalhando...
Por isso, saber datilografar era imprescindível para qualquer profissional. Tanto que aos 15 anos, eu já era craque nesse negócio, conseguia datilografar mais de 180 batidas por minuto (assim é que se contava a velocidade). Por isso, fui convidada para ser professora de datilografia.
Mas porque estou contando tudo isso? Para fazer uma analogia com o mesmo mundo que vivo agora, 30 anos depois... Pouco tempo, se pensarmos no tamanho da mudança.
Mas, se naquela época era imprescindível saber fazer um trabalho de datilografia limpo, sem erros, hoje é fato que nós, os que somos jovens há mais tempos, temos que nos alfabetizar em outras linguagens. Esse é o espírito que me levou a buscar, auto-didaticamente, a sair em busca de informações sobre podcasts, vídeos na internet, slide-share, etc. Porque não basta mais ter excelentes idéias, se não as tornarmos acessíveis ao maior número possível de pessoas.
Mas isso também me faz refletir muito sobre o que quero publicar, pois se deter a informação e não compartilhá-la é bem ruim, acredito ser ainda pior divulgar informação de péssima qualidade... espero estar cumprindo meu papel divulgando informações de relevância para os que tão generosamente me oferecem seu tempo, lendo e ouvindo as publicações deste blog.
Por isso, mais um podcast curtinho, de aproximadamente 3 minutos, falando um pouquinho sobre um assunto complicado e controverso: a delegação de responsabilidades. Quem é empreendedor, empresário, que começou "do zero" e "se fez sozinho", sabe do que estou falando.
Mas assim como eu estou me esforçando para aprender novas ferramentas de comunicação, buscando alternativas para me tornar uma blogueira melhor, também os gestores precisam fazer um esforço para se tornarem os líderes que potencialmente já são.
Esse podcast abaixo, é uma adaptação do texto publicado na revista Bens & Serviços, do sistema Fecomércio-RS, edição de Janeiro.
Enjoy it!
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Tomada de Decisões: quando os aspectos técnicos e a ética pessoal se opõem, como decidir?
Revendo um episódio da minha vida profissional, percebo como somos influenciados por aquilo que cremos, pelos nossos valores, pela nossa própria história de vida, nos momentos críticos de decisão.
Essa história em especial, que teve um final feliz, tinha chance igual de ter se tornado um desastre. Geralmente, as decisões mais importantes, têm essa mesma proporção: 50-50!
Ou seja: nada a desequilibra. Não há histórico ou precedente para averiguar naquele momento. As decisões importantes são tomadas assim: preparamo-nos toda uma vida, para decidir em segundos.
Por isso hoje, quando penso nos profissionais que estão dirigindo nosso futuro, nos políticos decidindo as questões importantes de nossa vida em sociedade, dou igual importância à qualificação técnica desses profissionais e de seu histórico humano, sua vivência pessoal.
Porque naqueles segundos cruciais do SIM ou NÃO para uma situação, não há tempo para revisar conceitos técnicos. Não há tempo para analisar fria e detalhadamente. A decisão será intuitiva. Acredite-me!
Não estou falando das pequenas decisões, ou daquelas que são a culminância de um projeto por nós arquitetado. Essas têm seu curso natural de análise, preparação, testes, ajustes e por fim a decisão sacramentada.
Estou falando daquelas situações que nos chegam inesperadamente, e para as quais não podemos dizer: espera aí que vou ver o que os gurus da administração (ou da psicologia) fariam no meu caso. Não dá! É decisão para AGORA!
Naquele caso que eu contava, eu já tinha me tornado uma Gerente de Comércio Exterior de uma multinacional. Naquela época, com a estrutura organizacional em processo de implantação e as vendas internacionais começando, respondia por 7 ou 8% do faturamento global da empresa. Pouca responsabilidade? Nem tanto, já que cada pedido de exportação representava em média USD 250.000,00, e nossa área embarcava uma média de 4 pedidos desses por mês. Sem contar toda a estrutura para atender às peças de reposição, garantia e serviços para a rede credenciada no exterior. Pouco dinheiro, muito custo e muita responsabilidade. Deixar um equipamento sem assistência técnica no exterior é o caminho mais curto para o fracasso da marca.
Eu e minha assistente estávamos, naquela semana, embarcando nosso terceiro pedido para um cliente brasileiro que havia aberto uma filial na Venezuela. Um cliente que, no Brasil, respondia por 35% do faturamento de uma das nossas linhas de produto.
Com o real desvalorizado, as exportações estavam em alta, e como sempre acontece quando as vendas estão aquecidas, começamos a enfrentar dificuldades em conseguir transporte para nossas cargas até o Porto onde seriam embarcadas para o exterior. Faltavam caminhões.
Nós tínhamos nossas políticas de contratação de serviços, e as transportadoras habituais conheciam bem nossos níveis de exigência, e nos atendiam a contento. Mas um pedido daquela magnitude, que dependia de 23 caminhões de uma única vez, foi mais do que eles estavam preparados para atender.
Pressões externas, do cliente que esperava a carga no prazo combinado, da dificuldade logística em concluir o projeto a tempo, e internas, do pessoal da fábrica e expedição, que não poderiam fechar o ano com todos aqueles produtos parados no estoque.
Depois de muitas conversas, em diversos tons, com a transportadora, eles finalmente se comprometeram em enviar todos os 23 caminhões que pedimos, e aí a corrida contra o tempo: retirar os containeres do porto, trazer até a fábrica, estufar e seguir em viagem.
Tudo programado e acontecendo conforme combinado, mas nem por isso, menos desgastante. Só relaxaríamos quando o último dos caminhões chegasse no porto, concluísse a liberação aduaneira e a carga toda estivesse, finalmente, dentro do navio.
Para piorar a situação, era 20 de dezembro. Tínhamos que cumprir o cronograma de qualquer maneira, antes do Natal senão, não fecharíamos os números do mês. E o mês, neste caso, tinha 10 dias a menos, pois no dia 21 de dezembro, entrávamos em férias coletivas.
Talvez por intuição, minha assistente decidiu descer até a área de expedição da fábrica para acompanhar o carregamento. Tudo ia muito bem, até que ela viu um dos caminhões aguardando na fila para ser carregado. Aquele caminhão estava completamente fora dos nossos padrões: tinha pelo menos 30 anos de uso, o capô do motor estava preso por uma corda, vazava óleo e parecia que ia desmanchar ali mesmo.
Não duvidou em entrar na minha sala como um corisco, me pedindo para não autorizar o carregamento naquele caminhão, completamente fora dos nossos padrões.
Ligamos para a transportadora, a voz alguns decibéis acima do usual, pedindo explicações, e a resposta foi: ou carrega naquele caminhão, ou aguarda até se conseguir outro equipamento, o que provavelmente ocorreria somente depois do Ano-Novo!
Como sabemos o que significa “parceria”, tínhamos consciência de nossa parcela de responsabilidade, e conhecíamos bem nosso fornecedor, para saber que ele não tinha alternativa. Não fora uma decisão fácil para ele também, enviar aquele caminhão para nos atender. Estava arriscando a conta, uma conta importante para o seu próprio negócio. Mas ou nos atendia como era possível, ou nos dizia um sonoro e rotundo “não”. Optou pela primeira alternativa.
Bom, hora de falar com o motorista e dar a triste notícia. Eu nunca deleguei essa tarefa para terceiros, a de comunicar as decisões da empresa aos parceiros, boas ou más. Sempre as assumi, porque acredito que grande parte de nossa credibilidade provêm da nossa capacidade de estar lá quando a situação exige.
Optei por não chamar aquele senhor na minha sala (o que já era bastante intimidador para uma pessoa humilde, de mãos calejadas – entrar na diretoria de uma empresa daquele porte) e fui até ele. Expliquei os motivos pelo qual nossa empresa não poderia aceitar o seu caminhão na frota, e ele, na sua humildade, com as mãos sujas de graxa (acabara de “dar um trato” no motor), e os olhos úmidos, me explica que, se eu fizesse isso, ele estaria numa situação muito delicada. Esse havia sido o único frete bom do ano, e como se aproximava o Natal, parte do adiantamento de viagem que ele recebera da transportadora, já havia sido destinado à sua família, pois sem aquele dinheiro, não haveria ceia de natal.
E agora, José? Sigo a minha cartilha, aquela que impunha a toda a minha equipe, ou quebro as minhas próprias regras? Arrisco e assumo junto com aquele caminhoneiro estranho, a responsabilidade por um possível atraso no embarque dos outros 22 caminhões, ou decido ali mesmo o destino da carga e o natal daquela família? Quem responde agora, a profissional qualificada, ou o ser humano, perante outro ser humano?
Como disse no princípio desse texto, decisões difíceis não dão prévio aviso. E essa, tinha 50% de chance para cada lado.
E contra os acenos da minha assistente, que dizia: não carrega, vais arriscar muito!- eu fiz um pacto com aquele senhor. Olhando um nos olhos do outro, entramos num entendimento que extrapolava qualquer acordo profissional. Éramos duas pessoas entrando em um nível de comprometimento mútuo e de confiança, poucas vezes vivenciados por mim.
Ele me jurou que chegava no prazo combinado, custasse o que custasse. E eu acreditei, porque a outra alternativa acabaria não só com o natal daquele pobre senhor, mas também com o meu. E me transformaria numa pessoa que eu não gostaria de ver no espelho.
E assim foi selado o pacto: ele partiu carregado e compromissado comigo. Viajaria a noite toda e me ligaria quando descarregasse no porto. No meu celular particular. E eu, que não dormi a noite toda, me questionando se minha decisão era correta.
Toca o telefone, 6:45 da manhã, a cobrar. E a voz me dizia do outro lado: “eu não disse pra senhora que eu chegava?” numa alegria contagiante!
Naquele momento entendi. Posso prevenir muitas situações de ocorrer, com técnica, procedimentos e métodos. Mas nunca poderei, sem me transformar em outra pessoa, colocar tudo isso acima do ser humano.
Hoje, quando vou fechar um negócio, ou iniciar uma nova parceria, depois de avaliadas as condições técnicas, faço questão de olhar no olho do meu futuro parceiro. Quero ver lá no fundo daquele olhar, o mesmo comprometimento que enxerguei nos olhos daquele caminhoneiro, no ano de 2000. Eu estou pronta para o pacto. Faço questão disso.
Um abraço, e até o próximo post!
Essa história em especial, que teve um final feliz, tinha chance igual de ter se tornado um desastre. Geralmente, as decisões mais importantes, têm essa mesma proporção: 50-50!
Ou seja: nada a desequilibra. Não há histórico ou precedente para averiguar naquele momento. As decisões importantes são tomadas assim: preparamo-nos toda uma vida, para decidir em segundos.
Por isso hoje, quando penso nos profissionais que estão dirigindo nosso futuro, nos políticos decidindo as questões importantes de nossa vida em sociedade, dou igual importância à qualificação técnica desses profissionais e de seu histórico humano, sua vivência pessoal.
Porque naqueles segundos cruciais do SIM ou NÃO para uma situação, não há tempo para revisar conceitos técnicos. Não há tempo para analisar fria e detalhadamente. A decisão será intuitiva. Acredite-me!
Não estou falando das pequenas decisões, ou daquelas que são a culminância de um projeto por nós arquitetado. Essas têm seu curso natural de análise, preparação, testes, ajustes e por fim a decisão sacramentada.
Estou falando daquelas situações que nos chegam inesperadamente, e para as quais não podemos dizer: espera aí que vou ver o que os gurus da administração (ou da psicologia) fariam no meu caso. Não dá! É decisão para AGORA!
Naquele caso que eu contava, eu já tinha me tornado uma Gerente de Comércio Exterior de uma multinacional. Naquela época, com a estrutura organizacional em processo de implantação e as vendas internacionais começando, respondia por 7 ou 8% do faturamento global da empresa. Pouca responsabilidade? Nem tanto, já que cada pedido de exportação representava em média USD 250.000,00, e nossa área embarcava uma média de 4 pedidos desses por mês. Sem contar toda a estrutura para atender às peças de reposição, garantia e serviços para a rede credenciada no exterior. Pouco dinheiro, muito custo e muita responsabilidade. Deixar um equipamento sem assistência técnica no exterior é o caminho mais curto para o fracasso da marca.
Eu e minha assistente estávamos, naquela semana, embarcando nosso terceiro pedido para um cliente brasileiro que havia aberto uma filial na Venezuela. Um cliente que, no Brasil, respondia por 35% do faturamento de uma das nossas linhas de produto.
Com o real desvalorizado, as exportações estavam em alta, e como sempre acontece quando as vendas estão aquecidas, começamos a enfrentar dificuldades em conseguir transporte para nossas cargas até o Porto onde seriam embarcadas para o exterior. Faltavam caminhões.
Nós tínhamos nossas políticas de contratação de serviços, e as transportadoras habituais conheciam bem nossos níveis de exigência, e nos atendiam a contento. Mas um pedido daquela magnitude, que dependia de 23 caminhões de uma única vez, foi mais do que eles estavam preparados para atender.
Pressões externas, do cliente que esperava a carga no prazo combinado, da dificuldade logística em concluir o projeto a tempo, e internas, do pessoal da fábrica e expedição, que não poderiam fechar o ano com todos aqueles produtos parados no estoque.
Depois de muitas conversas, em diversos tons, com a transportadora, eles finalmente se comprometeram em enviar todos os 23 caminhões que pedimos, e aí a corrida contra o tempo: retirar os containeres do porto, trazer até a fábrica, estufar e seguir em viagem.
Tudo programado e acontecendo conforme combinado, mas nem por isso, menos desgastante. Só relaxaríamos quando o último dos caminhões chegasse no porto, concluísse a liberação aduaneira e a carga toda estivesse, finalmente, dentro do navio.
Para piorar a situação, era 20 de dezembro. Tínhamos que cumprir o cronograma de qualquer maneira, antes do Natal senão, não fecharíamos os números do mês. E o mês, neste caso, tinha 10 dias a menos, pois no dia 21 de dezembro, entrávamos em férias coletivas.
Talvez por intuição, minha assistente decidiu descer até a área de expedição da fábrica para acompanhar o carregamento. Tudo ia muito bem, até que ela viu um dos caminhões aguardando na fila para ser carregado. Aquele caminhão estava completamente fora dos nossos padrões: tinha pelo menos 30 anos de uso, o capô do motor estava preso por uma corda, vazava óleo e parecia que ia desmanchar ali mesmo.
Não duvidou em entrar na minha sala como um corisco, me pedindo para não autorizar o carregamento naquele caminhão, completamente fora dos nossos padrões.
Ligamos para a transportadora, a voz alguns decibéis acima do usual, pedindo explicações, e a resposta foi: ou carrega naquele caminhão, ou aguarda até se conseguir outro equipamento, o que provavelmente ocorreria somente depois do Ano-Novo!
Como sabemos o que significa “parceria”, tínhamos consciência de nossa parcela de responsabilidade, e conhecíamos bem nosso fornecedor, para saber que ele não tinha alternativa. Não fora uma decisão fácil para ele também, enviar aquele caminhão para nos atender. Estava arriscando a conta, uma conta importante para o seu próprio negócio. Mas ou nos atendia como era possível, ou nos dizia um sonoro e rotundo “não”. Optou pela primeira alternativa.
Bom, hora de falar com o motorista e dar a triste notícia. Eu nunca deleguei essa tarefa para terceiros, a de comunicar as decisões da empresa aos parceiros, boas ou más. Sempre as assumi, porque acredito que grande parte de nossa credibilidade provêm da nossa capacidade de estar lá quando a situação exige.
Optei por não chamar aquele senhor na minha sala (o que já era bastante intimidador para uma pessoa humilde, de mãos calejadas – entrar na diretoria de uma empresa daquele porte) e fui até ele. Expliquei os motivos pelo qual nossa empresa não poderia aceitar o seu caminhão na frota, e ele, na sua humildade, com as mãos sujas de graxa (acabara de “dar um trato” no motor), e os olhos úmidos, me explica que, se eu fizesse isso, ele estaria numa situação muito delicada. Esse havia sido o único frete bom do ano, e como se aproximava o Natal, parte do adiantamento de viagem que ele recebera da transportadora, já havia sido destinado à sua família, pois sem aquele dinheiro, não haveria ceia de natal.
E agora, José? Sigo a minha cartilha, aquela que impunha a toda a minha equipe, ou quebro as minhas próprias regras? Arrisco e assumo junto com aquele caminhoneiro estranho, a responsabilidade por um possível atraso no embarque dos outros 22 caminhões, ou decido ali mesmo o destino da carga e o natal daquela família? Quem responde agora, a profissional qualificada, ou o ser humano, perante outro ser humano?
Como disse no princípio desse texto, decisões difíceis não dão prévio aviso. E essa, tinha 50% de chance para cada lado.
E contra os acenos da minha assistente, que dizia: não carrega, vais arriscar muito!- eu fiz um pacto com aquele senhor. Olhando um nos olhos do outro, entramos num entendimento que extrapolava qualquer acordo profissional. Éramos duas pessoas entrando em um nível de comprometimento mútuo e de confiança, poucas vezes vivenciados por mim.
Ele me jurou que chegava no prazo combinado, custasse o que custasse. E eu acreditei, porque a outra alternativa acabaria não só com o natal daquele pobre senhor, mas também com o meu. E me transformaria numa pessoa que eu não gostaria de ver no espelho.
E assim foi selado o pacto: ele partiu carregado e compromissado comigo. Viajaria a noite toda e me ligaria quando descarregasse no porto. No meu celular particular. E eu, que não dormi a noite toda, me questionando se minha decisão era correta.
Toca o telefone, 6:45 da manhã, a cobrar. E a voz me dizia do outro lado: “eu não disse pra senhora que eu chegava?” numa alegria contagiante!
Naquele momento entendi. Posso prevenir muitas situações de ocorrer, com técnica, procedimentos e métodos. Mas nunca poderei, sem me transformar em outra pessoa, colocar tudo isso acima do ser humano.
Hoje, quando vou fechar um negócio, ou iniciar uma nova parceria, depois de avaliadas as condições técnicas, faço questão de olhar no olho do meu futuro parceiro. Quero ver lá no fundo daquele olhar, o mesmo comprometimento que enxerguei nos olhos daquele caminhoneiro, no ano de 2000. Eu estou pronta para o pacto. Faço questão disso.
Um abraço, e até o próximo post!
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